10
mai
12

Ítacas

ÍTACA
Konstantinos Kaváfis
(Trad.
José Paulo Paes)

Se partires um dia rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrará
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás de entrar pela primeira vez um porto
para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir:
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
e perfumes sensuais de toda a espécie,
quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrina
para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
e fundeares na ilha velho enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.

Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
e agora sabes o que significam Ítacas.

Encontrado aqui.

22
mar
12

Matéria da prova

Diagramas de Venn

Números complexos

Obs: inglês não é mais língua estrangeira, é segunda língua

20
mar
12

Bike is cool

Portland, Oregon, deve ser a cidade mais bacana dos Estados Unidos.

Já ouviu falar de Zoobomb?

17
mar
12

Sereno

Pois é

De Marcelo Camelo

Pois é, não deu
Deixa assim como está, sereno
Pois é, de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver

E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
Avisa que há de se entregar o viver
Avisa que há de se entregar o viver

Pois é, vá até
Onde o destino não previu
Sem mais, vá atrás
Vou até onde eu conseguir

Deixa o amanhã e a gente sorrir
Que o coração só quer descansar
Clareia a minha vida, amor, num olhar
Clareia a minha vida, amor, num olhar

16
fev
12

Esporte de homem?

15
fev
12

Por que????????

É uma propaganda. Mas que propaganda.

Não existe um por quê. O único por quê é o seu porque.

“Existe o certo e o errado e a felicidade fica em qualquer lugar do resto”, dr. Hipnose.

13
fev
12

Pinheirinho e as outras guerras no porvir

“É preciso ver como se foi constituindo uma pauta dominante. Como a pauta da inclusão social acabou sendo sinônimo apenas da inclusão no mercado, via melhoria das condições de renda. A inclusão no campo cidadão acabou tendo um papel muito menor e menos importante.

Nesse momento de desenvolvimento econômico muito importante, as terras urbanas e rurais adquirem um enorme valor econômico. Os conflitos em torno da terra estão sendo acirrados em função disso, dado o enorme e importante valor que a terra está assumindo. A exacerbação dos conflitos de terra tem a ver com o aumento do interesse pela terra.”

Entrevista muito boa com Raquel Rolnik, arquiteta, urbanista e relatora da ONU para questões do direito de moradia.

12
fev
12

O post mais útil da história

Copiado na cara dura do 9gag.

10
fev
12

Batman!

"Vista-se para o trabalho que você quer, não para o que você tem"

Eu ouvi essa grande sabedoria em mais de um local de trabalho. É a maravilhosa leitura (mal feita) das técnicas de programação neurolingüística.

Encontrado no maior assassino de tempo do mundo.

Charge maravilhosa do André Dahmer.

08
fev
12

Minhas “histórias” da matemática

Faz mais de quinze anos que me apaixonei pela matemática.

Não foi durante o colégio. Não. Lá eu era um aluno bem meia boca. Era daquele tipo que não ia bem nem ia mal, que nunca estudava, mas me garantia nas provas. Fui levando sem grandes dificuldades. Minha mãe tinha muito orgulho da minha graaaaaande capacidade.

Até que entrei na faculdade. Embora também não tenha sido ali que a paixão rolou.

Naquela selva chamada USP havia um lugar esquecido pelo comum dos mortais. Um lugar mitológico povoado por estranhíssimas criaturas e máquinas incríveis. Carinhosamente chamado por seus alunos de Física, foi ali que tomei minha primeira grande porrada da vida.

Depois de perder a primeira semana de aulas, burrice típica dos bixos, encontrei minha sala de Cálculo I e sentei na terceira fileira. Uma professora magra, loira e nervosa preenchia frenéticamente a lousa com uma língua codificada que em nada me era familiar. Passada quase uma hora dessa viagem interplanetária, a professora já estava na quarta ou quinta lousa. Respirei fundo, tomei coragem, levantei o braço e disse: “professora, eu não entendi de onde veio aquele negócio ali”. “VOCÊ NÃO TEM BASE!”, respondeu ela antes mesmo que eu pudesse abaixar meu braço. Ela disse mais um monte de coisas que passaram pelos meus ouvidos, atravessaram meu cérebro e sairam pelo outro lado sem deixar registro. “Você não tem base. Você não tem base”. Era tudo que eu consegui ouvir e é tudo que me lembro de ter aprendido com a Elizabeth.

Ela tinha razão. Embora sua postura seja digna de críticas, não posso negar que ela tinha razão. Estudei em duas das melhores escolas de São Paulo. Tive aulas com professores incríveis. Mas sabia muito das ditas humanidades e quase nada de matemática. Logarítmo, trigonometria, binômio de Newton… eram coisas que eu vagamente me lembrava de ter ouvido falar.

O choque foi muito grande. Demorei muito para me recuperar. Resultado disso foi que a maior nota que consegui tirar naquele primeiro semestre da tão sonhada USP foi 1,5. Isso mesmo: um e meio! Minha mãe chorava, meu pai não entendia o que estava acontecendo. Eu não entendia o que estava acontecendo.

Até que, num belo dia do começo do outono, uma amiga me apareceu com um panfleto quase infantil de um curso sobre consultoria matemática. “Matemática aplicada à vida”. O panfleto prometia apresentar a matemática de uma forma nova, buscando nos originais dos grandes pensadores o grande significado dessa nobre arte. Foi muito fácil convencer meus pais a bancarem o investimento.

O curso era maravilhoso. As aulas eram no Anglo da Tamandaré, aos sábados de tarde ou aos domingos de manhã. O professor Ricieri conseguia a façanha de lotar aquela sala sempre, mesmo no meio da páscoa, do carnaval ou do natal. Sempre estava lotado! O curso começava as 14h. Se você chegasse a 13:40 já não achava mais lugar, sentava na escada. Ele começava a falar pontualmente as 13:50.

Por mais que a metodologia do professor Ricieri tenha algumas falhas e suas explicações tenham alguns erros conceituais, ele conseguiu despertar em mim a busca pela beleza que há na matemática. Eu sempre tinha achado muito louco coisas como todos os triângulos terem 180º de ângulos internos, a fórmula do vértice da parábola ser um pedaço da fórmula de Báscara e o triângulo de Pascal, mas nunca tinha ido atrás do por quê. Ele me convenceu de que tudo tinha um por quê e que qualquer um tem a capacidade de descobrir por si mesmo quantos por quês quiser. No fim, me sinto grato, pois adquiri as ferramentas e treinei o bom senso para correr atrás.

Desde então fui acumulando muitas histórias sobre a matemática e seus autores. Morte, intriga, traição, sexo, romance, aventura e um monte de outras coisas ordinárias foram completando a narativa dessa história da humanidade da qual nunca tinha ouvido falar e que depois descobri que sempre passou escondida por debaixo da história principal, de impérios, guerras e revoluções. Essas histórias povoaram minha mente e invadiram meu discurso. Me ajudaram a enxergar e pensar o mundo de forma bem mais ampla.

Só que a grande maioria delas não lembro mais onde aprendi e nem sei mais quão reais são.

Por isso, decidi me arriscar um pouco. Vou começar a escrever essas histórias imprecisas, que já conto em minhas aulas, para que outras pessoas tenham acesso a elas e as possam criticá-las e completá-las. Não vou consultar nada. Vai sair tudo da minha cabeça. Só vou no google para buscar imagens. E depois a gente pode ir polindo e ampliando o conhecimento que temos sobre essa que, na minha modesta opinião, é uma das maiores empreitadas da humanidade.

07
fev
12

Cidades para pessoas

A jornalista Natália Garcia é um bom exemplo de gente que não tem só iniciativa. Ela tem o mais importante pra conseguir o que se deseja: ela tem acabativa.

Ao trocar o carro pela bicicleta, sem imaginar onde estava se metendo, mudou sua vida. Descobriu uma nova cidade que vivia escondida embaixo de seus olhos e decidiu que essa maravilha não podia ficar só com ela. E para conseguir mudar o mundo a sua volta, criou um projeto maravilhoso, que mistura aprendizagem, diversão e atuação política, não necessariamente nessa mesma ordem.

Este vídeo abaixo é a palestra que ela fez num TED, explicando um pouquinho de sua trajetória.

05
fev
12

O céu é o limite

Meu amigo Zé Alberto treinando escalada lá na Suíça.

Reparem que lugar legal para se escalar.

Post altamente pessoal e hermético. “Não espere para realizar seus sonhos, a vida é muuuuuito curta”, é tudo o que consigo pensar no dia de hoje.

16
jan
12

Benvindo mais uma vez

Ano novo, vida que insiste e constantemente se renova. Mesmo a revelia.

Ano novo, bom motivo para se oferecer novos desafios. O novo sempre de novo.

Benvindo.

 

23
out
11

Meu amado inimigo

Michael Schumacher é o maior campeão da história da fórmula 1. Detem quase todos os recordes.

O ABC de Natal é o maior campeão estadual do Brasil. Ganhou 47 vezes o campeonato potiguar.

Thiago Pereira ganhou seis medalhas de ouro no Panamericano do Rio em 2007.

O São Paulo está dando de presente para o goleiro Rogério Ceni um camarote no Murumbi. Belo presente. Raro ver um clube brasileiro tratando bem seus ídolos.

Essa imagem ai encima me chamou a atenção, por que eles fizeram questão da presença do Corinthians na homenagem?

Schumacher ganhou muito mais do que o Senna. Mas o Senna ganhou do Prost, do Mansel e do Piquet. Pra muitos, Senna foi o melhor piloto da história.

O ABC ganhou 47 vezes de quem? Os times do eixo Rio-São Paulo ganharam em média metade da quantidade de títulos estaduais que o ABC ganhou. Só que eles ganharam esses títulos sobre os outros times do Rio-São Paulo, que juntos tem 30 títulos brasileiros de 40 disputados até agora. O que mais o ABC ganhou?

Thiago Pereira não ganhou absolutamente nada nas olimpíadas de Pequim em 2008. Não ganhou nada em nenhuma olimpíada. César Cielo ganhou ouro nos 50 m livres e bronze nos 100 m livres. Por que?

É preciso respeitar seus oponentes. Quanto melhor eles forem, maiores suas conquistas.

07
out
11

trabalho tem que ser divertido

Enviado pela minha amiga Cláudia.

01
out
11

Os melhores anos

Mais uma contribuição do amigo Sueto

09
set
11

Alex Honnold não tem mãe

Nem mulher, nem filhos.

Ele não tem juízo e deve estar faltando uns pedaços do seu cérebro.

Mas que técnica incrível. Parece tão fácil e seguro.

Ao que consta ele ainda está vivo.

Quantas barras será que ele faz?

O que leva um ser humano a fazer isso?

07
set
11

Dá pra fugir do Google?

A coluna do Luli Radfahrer na folha de hoje complementa bem o post anterior.

E eu penso no que nós professores estamos cobrando de nossos alunos. (Ainda não tenho filho, mas creio que essa indagação sirva perfeitamente).

A ditadura de certezas

A situação é banal e cotidiana, mereceria análise. Acesso o Google e digito “qual é”. Antes que consiga concluir o raciocínio, o sistema se apressa a finalizar minha pergunta, sugerindo: “o seu talento?”, “a boa?”, “o período fértil”, “o dia dos namorados?”. Sua prestatividade é compulsiva, típica de quem tem 12 anos, está fascinado em aprender os segredos do mundo e em ler a mente de seu interlocutor.

Por mais que sua energia irrite de vez em quando, é cômodo ter um servo desses por perto. Chega a beirar a decadência a forma e a intensidade com que se pergunta de tudo a ele, até mesmo coisas cuja resposta é conhecida, como o site do banco, do jornal -ou do próprio Google.

Há pouco mais de uma década, a informação tinha mais gosto de aventura. Em uma festa, um especialista poderia fascinar seus interlocutores com teorias e leituras. Hoje ele seria contestado por smartphones, cujo acesso ao Grande Repositório teriam sempre a informação mais fresca, mais atualizada, mais popular. Com a valorização da precisão, do volume e do acesso, os dados crus tomaram o lugar do contexto, a precisão ocupou o posto da descoberta, a resposta ficou mais importante que a pergunta. Não é um bom sinal.

Mentalidades, religiões e ideologias restritas são ambientes de certezas absolutas. A ditadura da opinião popular impede o aparecimento de qualquer nova ideia que, exatamente por ser nova, causa estranheza e desconforto. As palavras “civilização” e “cidade” têm a mesma origem, porque sempre foi preciso reunir um grupo extenso e variado de pessoas com históricos, formações e ideias múltiplas para criar algo efetivamente novo.

A internet surgiu como uma gigantesca cidade, uma rede conectora de cérebros ao redor do mundo. Poucos imaginariam que o efeito colateral da informação que ela popularizou seria o surgimento de uma nova economia, baseada em atenção. Quando todos falam, não há tempo nem interesse para que alguém seja todo ouvidos.

Daí a importância de um Google, que, curiosamente, não traz resposta alguma. Sua função é encontrá-la, agregá-la e redirecioná-la com base em sua popularidade. Páginas que tenham muitos links a referenciá-las ganham acesso à elite das 20 primeiras respostas encontradas, desde que se comportem adequadamente e falem direitinho, configurando seu código para atender às regras de boa etiqueta definidas pelo próprio sistema. A voz do povo torna-se a voz de Deus, por mais que seja difícil acreditar que alguma das 1,5 bilhão de páginas que referenciam “God” acreditem na infalibilidade da opinião pública.

A busca é só uma parte da inteligência que vem sendo terceirizada. Como ela, a orientação espacial e a tradução estão cada vez mais parecidas com a aritmética: técnicas arcaicas, quase desnecessárias. O Google+ provavelmente assumirá a verificação de referências e linhagem, função que hoje é relegada ao Facebook e um dia foi usada por sobrenomes ou castas.

Com o tempo, este poderoso servo ganha corpo e um poder sem precedentes. Seus olhos estão aí para nos ver melhor. Seus ouvidos, para nos escutar melhor. Como donos de cães de guarda, confiamos na lealdade de quem jurou nunca “fazer o mal”. Mas o que é “fazer o mal”? Não sei, pergunte para o Google.

07
set
11

Sair do Facebook?

Aproveitando o dia da independência para refletir sobre nossas opções.

Uma amizade real não é necessariamente melhor do que uma virtual.

Mas é preciso tomar cuidado com certas coisas.

Obvia ou subliminarmente inspirado nisso!

06
set
11

Sexo

Alguém ai falou em sexo?

Hoje é o dia do sexo?

Só hoje?

Tadinhos.

04
ago
11

Andar, comer, aprender

Sim, estou morrendo de inveja!

Indicado pelo amigo fixo motoqueiro videomaker bom pra caramba André Seitsugo.

27
jul
11

a Yoga do prof. Hermógenes

O prof. Hermógenes foi um dos introdutores da Yoga no Brasil. Nessa entrevista ele tinha só 89 anos. Vai dizer que parece tudo isso? Tem vários livros interessantes sobre o tema. E trata a Yoga de um jeito coerente, que me agrada muito.

Nesse mundo onde as pessoas se deixam empurrar pra depois sofrer e reclamar, os movimentos de desaceleração (slow bike, slow food) fazem cada vez mais sentido. Então que tal fugir das academias barulhentas e procurar uma prática mais suave?

Encontrado num blog diferente deste.

 

 

14
jul
11

Destruir o futuro para reinar no presente

Matéria da folha de São Paulo de ontem. Autoria de Cláudio Ângelo, editor de ciências do jornal.

Os destaques e as observações são minhas e a foto não tem nada a ver, é só uma desculpinha para citar o blog do Movimento Brasil pela Vida nas Florestas.

Parques na Amazônia serão reduzidos por medida provisória

Três unidades de conservação encolherão para dar lugar a duas usinas hidrelétricas. Três unidades de conservação da Amazônia, entre elas o parque nacional mais antigo da região, terão sua área reduzida ainda neste ano para dar lugar a duas hidrelétricas. Outras cinco áreas protegidas estão na mira do governo federal.

Uma medida provisória a ser editada ainda neste mês determinará a “desafetação” (redução) do Parque Nacional da Amazônia e das florestas nacionais de Itaituba 1 e 2. As unidades serão alagadas pelos reservatórios das usinas de São Luiz e Jatobá, no rio Tapajós, no Pará.

Como a Folha adiantou em junho, as unidades serão reduzidas sem a realização de estudo prévio, após um pedido da Eletronorte. A decisão foi comunicada no último dia 1º aos chefes das áreas protegidas pela presidência do ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade). Na mesma reunião, foram instruídos a não conversar com a imprensa sobre isso. Todos eles se opõem à redução das áreas, como mostram documentos do ICMBio obtidos pela Folha. Segundo eles, a redução subverte o sentido das unidades.

O caso mais dramático é o do parque nacional da Amazônia, criado nos anos 1970. A zona a ser alagada é de alta prioridade para a conservação de peixes e aves, e biólogos temem que a implantação da usina de São Luiz provoque extinções locais. Em caráter emergencial, o ICMBio determinou um levantamento da fauna aquática do local em setembro.

A megausina de São Luiz do Tapajós, a principal do complexo, será a quarta maior do país, com 6.133 megawatts -quase a potência somada de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira. Jatobá terá 2.338 megawatts.

Os parques integram o mosaico de unidades de conservação da BR-163, criado pela União em 2005 para conter o desmatamento e a grilagem de terras na região. É o maior conjunto de áreas protegidas do país.

A partir do ano que vem, entram em discussão as reduções de outras cinco áreas protegidas e uma terra indígena, para dar lugar a mais três usinas do chamado Complexo Tapajós, o maior projeto hidrelétrico do governo depois de Belo Monte.

Como compensação, o governo estuda criar uma estação ecológica em Maués, no Estado do Amazonas.

Procurado pela Folha, o ICMBio não comentou a proposta até o fechamento desta edição.

obs1: não há o que compense uma extinsão. Depois de extinta a espécie nunca mais existirá. Parece óbvio, né. Mas então qual é a lógica da compensação?

obs2: medida provisória? sem estudo prévio? Deixa eu ver se entendi: o governo aprova o esquema na canetada, ai os caras vão lá e destroem tudo. Pronto, agora pra que estudo de impacto? Pra que o congresso se manifestar, chorar por uma área que não tem mais nada de rico?

Isso é democracia?

obs3: por que é que NUNCA, EM MOMENTO ALGUM, se toca na possibilidade de buscar outras fontes de energia? Vivemos no país com a maior intensidade de luz solar, maior quantidade de água doce e maior extensão de terras cultiváveis.

14
jul
11

Mais trololó

Mais trololó.

Enviado pelo amigo filipino Sueto.

12
jul
11

Não é o que parece

Esse post só foi possível graças ao meu amigo fotógrafo Roger HS.

07
jul
11

É caro desistir de nossos sonhos

Não deu. Tive que copiar e colar aqui o texto de hoje do Contardo Calligaris pra poder citá-lo no facebook e as pessoas que não assinam a folha poderem lê-lo.

É fácil desistir de nossos sonhos

GIL PENDER, o protagonista do último filme de Woody Allen, “Meia-Noite em Paris”, quer deixar de escrever roteiros de sucesso (que ele mesmo acha medíocres) para se dedicar a coisas “mais sérias” e menos lucrativas: um romance, por exemplo. Ele acumulou dinheiro suficiente para tentar essa aventura por um tempo, em Paris, como um escritor americano dos anos 1920.

Infelizmente, Pender está prestes a se casar com uma noiva que aprecia muito seu sucesso atual, mas não tem gosto algum pela incerteza (financeira) de seu sonho. Tudo indica que ele se dobrará às expectativas da noiva, dos futuros sogros e do mundo, renunciando a seu desejo. Talvez seja por causa dessa renúncia, aliás, que noiva e sogros o desprezam (todo o mundo acaba desprezando o desejo de quem despreza seu próprio desejo).

Mas eis que, na noite parisiense, alguns fantasmas do passado levam Pender para a época na qual poderia viver uma vida diferente e mais intensa -a época na qual seria capaz de fazer apostas arriscadas.

A idade de ouro de Pender é a Paris de Hemingway, Fitzgerald, Cole Porter, Picasso etc. Como disse Gertrude Stein (outra protagonista do sonho do herói), eles são a geração perdida, entre uma guerra terrível e outra pior por vir (isso ela não sabia, mas talvez pressentisse). Por que eles fariam a admiração de Pender e a nossa? Hemingway responde quando explica a Pender que, para amar e escrever, é preciso não ter medo da morte. Claro, não ter medo da morte talvez seja pedir muito, mas Pender poderia mesmo se beneficiar com um pouco mais de coragem; se conseguisse decidir sua vida sem medo da noiva e dos sogros, seria um progresso.

Concordo com o que escreveu Marcelo Coelho, em artigo neste mesmo espaço na edição de 22 de junho: uma moral do filme é que “temos só uma vida para viver -a nossa”, ou seja, tudo bem sonhar com a idade de ouro, à condição de acordar um dia.

Agora, o que emperra a vida de Pender não é seu sonho nostálgico, é o presente. A nostalgia, aliás, é seu recurso para não se esquecer completamente de seus próprios sonhos. É como se, para preservar seu desejo, ele o situasse numa outra época. Mas preservá-lo de quem?
Antes de mais nada, um conselho. Acontece, às vezes, que nosso sucesso não tenha nada a ver com nossos sonhos -por exemplo, você queria ser promotor de Justiça, mas fez algum dinheiro com a imobiliária de família e aí ficou, renunciando a seu sonho.

Nesses casos, uma precaução: case-se com alguém que ame seu sonho frustrado e não só seu sucesso; sem isso, inelutavelmente, chegará o dia em que você acusará seu casal de ter sido a causa de sua renúncia. Em outras palavras, é possível e, às vezes, necessário renunciar a nossos sonhos, mas é preciso escolher como parceiro alguém que goste desses sonhos e dos jeitos um pouco malucos que usamos para acalentá-los (no caso de Pender, passeios por Paris à meia-noite e na chuva).

Voltemos agora à pergunta: contra quem Pender precisou preservar seu desejo, mandando-o para outra época? Contra a noiva que desconsiderava seus sonhos? Aqui vem outra moral do filme.

Pender não é nenhum caso raro: todos nós, em média, dedicamos mais energia à tentativa de silenciar nossos sonhos do que à tentativa de realizá-los. Muitos dizem que desistiram de sonhos dos quais os pais não gostavam por medo de perder o amor deles. Mas por que Pender recearia perder o amor da noiva, que ele não ama, e dos sogros, que ele ama ainda menos?

O fato é que somos complacentes com as expectativas dos outros (que amamos ou não) à condição que elas nos convidem a desistir de nosso desejo. É isso mesmo, a frase que precede não saiu errada: adoramos nos conformar (ou nos resignar) às expectativas que mais nos afastam de nossos sonhos. Aparentemente, preferimos ser o romancista potencial que foi impedido de mostrar seu talento a ser o romancista que tentou e revelou ao mundo que não tinha talento. Desistindo de nossos sonhos, evitamos fracassar nos projetos que mais nos importam.

Em suma, da próxima vez que você se queixar de que seu casal afasta você de seus sonhos, lembre-se: foi você quem o escolheu.

E mais um conselho: se você encontrar alguém disposto a caminhar na chuva do seu lado, não fuja; molhe-se.

22
jun
11

Amor é caos

Durante manifestação em Vancouver.

Me lembrou muito Roberto Freire. Principalmente o livro Cléo e Daniel. Recomendo.

20
jun
11

A internet é uma praça pública

Interessante documentário que contribui para a discussão sobre a “nova” vida. Indicado pelo Luli Radfahrer no facebook.

Melhor frase: “virtual é algo que não existe. Amizade virtual é você ser amigo daquele amigo imaginário que você tinha quando tinha cinco ou seis anos de idade. Ou você ser amigo do espelho”.

16
jun
11

Espaço público. Espaço para as pessoas.

Jan Gehl, arquiteto dinamarquês que criou a Copenhaguização das cidades

O argumento ecológico sempre me pareceu o mais fraco para convencer as pessoas a largarem (pelo menos um pouco) o automóvel. E a bicicleta não é a única alternativa. Andar a pé, porra!

O espaço público é pras pessoas. Pras pessoas chegarem onde têm que ir, pras pessoas se encontrarem, se conhecerem, discutirem. Pra fazerem o que quiserem. Pra aprenderem!

Eu tive a experiência de ter a rua como parte da miha vida na infância e isso ajudou a construir meu caráter. Eu ia pro Ibirapuera pedalando sozinho, emprestava minha bicicleta pro maloquero desconhecido dar um rolê, ele me devolvia a bicicleta, a gente jogava bola com uns tiozão desocupados que estavam por lá e eu ia embora.

Meus pais nem imaginavam o que eu fazia. E eu não fazia nada de mais. E eles não se preocupavam.

E isso foi a só vinte anos.

A vinte anos a população mundial tinha um bilhão de pessoas a menos.

Qual noção de espaço terão as futuras gerações, criadas em apartamentos e se comunicando com as pessoas através de meios eletrônicos?

Meu pai estudou a vida inteira na escola pública. Entre seus colegas estavam o filho do dono da maior rede de lojas de roupas da cidade, o filho de um  juíz federal e um monte de pé-rapado.

Eu fui o aluno bolsista duro numa escola particular de classe média. Não era o único nessa situação. E apesar de ser chato contar que passei as férias na casa da minha vó no Taboão da Serra enquanto meus amiguinhos foram pra fora do país, era muito legal estudar lá.

Hoje as escolas estão segregadas por classes sociais. Deixaram de ser um espaço público rico, multiplo. Seus alunos não convivem mais com as diferenças. Como vão aprender a respeitá-las? Teoricamente? As escolas morrem de medo dos pais que morrem de medo de tudo. Onde as crianças vão aprender a se virar?

Estamos carentes de espaços públicos.

14
jun
11

Pra funcionar

Para as coisas virarem realidade o esforço necessário tem que ser menor do que o esforço realizado.

E quando se trata do governo ou o necessário tem que ser mínimo ou o realizado tem que gerar um lucro absurdo (não necessariamente para a sociedade).

Apesar das enormes mudanças ocorridas nos últimos cinco anos, São Paulo ainda não é uma cidade amiga dos ciclistas. Ainda não é seguro nem confortável pedalar por aqui.

A geografia é perfeita. Não somos como Copenhagen ou Ubatuba, tudo plano. Mas quem acha que ladeiras são um empecilho é quem não pedala. Não sabe que depois de pouco tempo pedalando você deixa de ter medo das subidonas e começa a procurá-las, para aumentar o desafio, a diversão.

O clima é, na minha opinião, ótimo. Não é tão quente quanto no Rio e as chuvas são bastante previsíveis. Só a poluição e a secura do ar que incomodam um pouco.

O único problema real é o convívio com os veículos motorizados.

bicicletinhas pintadas pelos ciclistas e apagadas pelo serviço público. motivação de ambas as partes: segurança

Faz parte da cultura e da organização viária a preferência absoluta ao carro. A própria CET, compania de engenharia de tráfego, que deveria cuidar do tráfego de gente, funciona exclusivamente para o tráfego de automóveis. Poe a fluidez (sonhada, mas estruturalmente impossível) na frente da vida.

Essa política pública é tão óbvia que qualquer motorista se acha no direito de por em risco a vida dos ciclistas. As finas “educativas”, as ameaças dolosas, os insultos e a incapacidade de enxergar fazem parte da rotina.

A bicicleta está na moda. O mundo já está tão zuado que ficou impossível para políticos e empresários falar em público sem demonstrar preocupações ecológicas. Quem não faz o seu greenwashing tá fora. A bicicleta é a menina dos olhos. É cool, é sustentável, é moderna, é barata, é bonita. Pode reparar como ela aparece em tudo quanto é tipo de comercial de tv. Lá no fundo sempre tem uma bicicleta passando livre, leve e solta.

Medidas simples como estacionamentos de bicicletas em estações de trem e ciclofaixas aos domingos são brutos sucessos.

policiais ciclistas de Glasgow

Sendo assim, não dá pra entender como e por que a prefeitura de São Paulo ainda não tomou duas medidas estupidamente simples, ofensivamente baratas e com retorno de imagem (votos) líquido e certo: a inclusão da bicicleta na sinalização viária e o policiamento de bicicleta.

Eles vivem repintando as ruas (pelo menos no centro), custaria quase zero incluir sinalização indicativa de que existe um veículo estranho chamado bicicleta que também tem o direito de circular por ali.

A cidade de Glasgow, que é uma das várias cidades que já experimentou o sucesso de botar os policias pra pedalar, chegou a brilhante conclusão que pelo preço de comprar e manter UMA ÚNICA viatura é possível manter na rua QUINZE policiais de bicicleta. Faça a matemática. É ridículo.

Essas duas medidas demorariam o que, seis meses para serem colocadas em prática? Elas acabariam de vez com a idéia errada de que as bicicletas não pertencem às ruas. Tornariam o trânsito e, consequentemente, a cidade mais humanos. Menos gente morreria. Mais gente se empolgaria a pedalar. A obesidade da população diminuiria. Haveria menos poluição. A polícia se aproximaria das pessoas. Não consigo ver um bom motivo para não fazer.

Não conheço nada dos meandros da política, mas se eu fosse cicloativista deixaria de lado todo o resto e me pautaria exclusivamente nesses dois pontos. Todo o resto viria a roldão.




Ô mundão


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